Método

26/10/2009

Minha vida foi uma confusão esse ano. Comecei a tocar piano no ano passado, em Agosto, e logo no começo desse ano havia decidido que queria viver de música. Então eu pensei que o caminho para isso era a faculdade de música, um lugar para aprender música de verdade. Naquele momento eu não tinha noção real do, digamos, mundo em que eu estava entrando – tinha pouquíssima noção musical. Bom, os primeiros seis meses foram dedicados a teoria musical e a solfejos, embora eu reconheça agora que poderiam muito bem ter sido melhor empregados. Não que teoria musical e solfejos sejam ruins, mas que eu tenha preguiça de solfejar e de escrever sobre teoria, isso eu tenho. De qualquer modo, em Julho entrei para o curso de extensão da UFMG, e agora tenho aulas de piano com o professor Maurício Veloso, que já me ensinou muito, embora meu progresso tenha sido pequeno (por culpa muito provavelmente minha). Então, desde Agosto venho tentando melhorar no piano, e foi só nesse mês que surgiu algum fruto. Até duas semanas atrás minha prática era fraca e, de certo modo, quase sem método. Sábado que vem é o vestibular. PRECISO acabar amanhã a Marcha Turca, 100%, e ainda ler até o fim as outras duas partituras! E é o que vou fazer, nem que tenha que ficar no piano a manhã seguinte!

De qualquer modo, algumas das coisas que aprendi com o Maurício (algumas das quais também ditas pelo Luis*):

– Quando for estudar, toque devagar até alcançar a perfeição. A partir dai aumente gradualmente a velocidade da execução.

– Toque relaxado. Quando as mãos estão tensas, o movimento fica difícil, é fica fácil perder notas e ritmo.

– Tenha foco, estude o necessário, e procure sanar os problemas conscientemente. Como um amigo disse, não adianta tocar 1000 vezes e achar que na milésima primeira vai sair direito.

E, portanto, tenho um plano para a prática da semana: começar com uma hora de aquecimento, com alongamentos e exercícios de dedilhado de Cortot e Bélla Bartok. Feito isso, praticar a peça A Little Song (Dimitri Kabalevski) por uma hora. Após isso, praticar um misto de dedilhados e exercícios de ritmo por outra hora. Finalmente, uma hora dedicada a sanar os problemas da Marcha Turca, seguida por outra hora para a Invenção a Duas Vozes de J. S. Bach. A partir dai, alternar entre descanso e as peças.

Espero realmente que isso funcione. Não sei se devo passar no vestibular agora, mas gostaria de conseguir tocar uma peça boa lá. Uma vez pelo menos, sabe…

E agora, a música que eu estava ouvindo no momento (e que por sinal vi num concerto outro dia):

*Luis é meu professor de violão/guitarra, teoria musical, solfejo e ditado melódico. Faço aula com ele há quase três anos. Grande pessoa, incrível musicalmente.


Amadeus

03/08/2009

Ontem o dia começou tarde – acordei as 15:00 haha. Mas dai tomou um rumo inesperado e acabei vendo um filme muito bom. Um menina legal que eu conheço alugou Amadeus, pra todo mundo assistir, um filme sobre Wolfgang Amadeus Mozart. Isso me lembrou da peça que estou ensaiando pro dia 06 – e que com sorte vou terminar a tempo – o Rondo Alla Turca, uma passagem conhecida como a Marcha Turca.

Mas, primeiramente, vamos falar sobre o compositor: Wolfgang Amadeus Mozart (27 January 1756 – 5 December 1791), foi um compositor do período clássico da música erudita. Foi um dos mais prolíficos em sua área, com mais de 600 obras, das quais muitas são consideradas obras-primas. Desde criança, Mozart se mostrava um prodígio, sendo habilidoso nos teclados (cravo e piano) e no violino (habilidades essas que o permitiram compor desde cedo, com 5 anos de idade). Viveu por algum tempo em Salzburg, onde foi Músico da Corte, mas acabou indo para Viena, onde viria a compor e executar muitas de suas melhores peças, dentre elas a Flauta Mágica e seu Requiem, não terminado.

Além de sua música, Mozart era conhecido por incríveis capacidades músicas, como o domínio perfeito do improvisação nos teclados, improvisações estas em que ele conseguia precisão e ritmos perfeitos. Sua memória também lhe permitia tocar algumas peças sem partitura.

Sobre a música: o Rondo Alla Turca é o último movimento da Piano Sonata No. 11 in A Major K331, sendo uma das obras mais conhecidas de Mozart. Este Allegreto tenta imitar o som das marchas militares otomanas. Interessantemente, é uma música que muitas pessoas alteraram a velocidade, desde aquela por Gleen Gould (devagar) a outra por Romuald Greiss (extremamente rápido).

Pessoalmente eu gosto muito da versão abaixo:

Em breve, vou postar uma peça para violão e possivelmente uma sonata para piano.


Dvořák e o Romantismo Musical

02/06/2009

Outro dia eu estava no msn, quando o De Paula ( http://cabriolastristes.wordpress.com/ ) me mandou uma música: era Piano Concert in Gm – Allegro Agitato, de Dvořák, um compositor que eu nunca tinha ouvido (dentre os tantos que ainda não ouvi hehe). A música me pegou de primeira; logo nos primeiros 10 segundos já fiquei cativado e convencido a escutar mais da música (que por sinal cerca de 19:30 minutos).

Antonín Leopold Dvořák (September 8, 1841 – May 1, 1904)

Antonín Leopold Dvořák (September 8, 1841 – May 1, 1904)

Dvořák, nascido em Nelahozeves, na atual República Checa, foi um compositor de um período das artes conhecido como romantismo – na música, caracterizado pela expansão as estruturas formais de uma composição, permitindo que essas se tornasse mais expressivas e (segundo a wikipédia) “apaixonantes”. Claramente, o amor em si não é o foco do romantismo, embora esse tema tenha sido muito usado nas composições da época (e se você observar, ainda é usado até hoje).

Embora Dvořák não tenha sido um inovador, em termos técnicos, foi um dos que mais bem utilizou as ferramentas a sua disposição em sua época, o que lhe rendeu sucesso ainda em vida. Fez performances na Inglaterra e, em 1891, foi convidado a lecionar música no Conservatório Nacional de Música de Nova York.

Antonín Leopold Dvořák faleceu de falência cardíaca, em Praga. Na época ocupava o cargo de diretor do Conservatório de Praga.

Curiosidade: até onde li, pode-se deduzir a possibilidade de que Dvořák fosse um sujeito mente aberta: certa vez pediu que Harry Burleigh, um pupilo seu, lhe mostrasse o que era conhecido como Traditional American Spirituals.

Abaixo, Piano Concert in Gm, dividido em duas partes por restrições do YouTube.

Obra recomendada: todo o bloco de Slavonic Dances, obviamente, por Dvořák.


A Escala Bachiana

14/05/2009

Nas minhas aulas de música mais recentes, em vista de eu querer passar no vestibular de música, meu professor me passou muita coisa sobre música erudita: músicas, escalas, solfejos e outras coisas mais. Mas o melhor foi quando ele falou de Bach – Johann Sebastian Bach.

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 — Leipzig, 28 de julho de 1750)

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 — Leipzig, 28 de julho de 1750)

Bach foi um compositor do barroco – um período da história com um estilo único – tido por muitos como o maior deles. Fez inúmeras contribuições para a música, e até hoje é tido por muitos como um dos mais importantes músicos da história, tanto que dizem que o barroco acabou quando Bach morreu. Pois bem, quem quiser saber mais sobre Bach, só pesquisar no Google.

Agora vou falar do que, para mim, até o momento, foi a tacada de mestre dele: a escala bachiana. A escala bachiana é uma mistura de outras escalas, sendo essas a menor melódica e a menor natural. O que são essas outras escalas que você falou? A menor melódica surgiu (até onde a memória me permite lembrar) a partir da menor harmônica, e essa por sua vez surgiu da seguinte situação: era muito difícil para as coristas alcançarem certas notas da escala natural. Então criaram essas outras escalas. Quem criou? Não sei. Que coisa mal explicada!

Mas voltando para a nossa escala-tema, aconteceu o seguinte: o criativo Bach decidiu usar uma progressão que conforme progrediam as notas (para os leigos: ficava mais agudo) utilizava-se a escala menor melódica, e conforme regrediam (ficava mais grave) utilizava-se a escala menor natural. Brilhante! Temos então uma das escalas mais brilhantes, que permite músicas lindas.

A teoria musical diz que a escala maior é composta pelos seguintes intervalos: tom tom semi-tom tom tom tom (e semi-tom). Veja:

As 12 notas musicais: Dó   Dó#   Ré   Ré#   Mi   Fá   Fá#   Sol   Sol#   Lá   Lá#   Si   (Dó). Então a escala maior em Dó seria: Dó   Ré   Mi    Fá   Sol   Lá   Si   (Dó). Acontece que a teoria nos diz que na escala menor harmônica a terceira nota é bemol, e na escala menor melódica a terceira e a sexta nota são bemol. Logo teremos:

>Menor Harmônica: Dó   Ré   Mi b (ou Ré#)    Fá   Sol   Lá b (ou Sol#)   Si   (Dó)

>Menor Melódica: Dó   Ré   Mi b (ou Ré#)    Fá   Sol   Lá  Si   (Dó)

Então caimos na escala menor natural, que tem a terceira, a sexta e a sétima bemol.

>Menor Natural: Dó   Ré   Mi b (ou Ré#)    Fá   Sol   Lá b (ou Sol#)  Si b (ou Lá#)   (Dó)

E finalmente a escala bachiana, que progride em menor melódica e regrede em menor natural.

>Escala Bachiana: Dó   Ré   Mi b   Fá   Sol   Lá   Si   Lá#   Sol#   Sol   Fá   Mi b   Ré   Dó

Só pode ter baixado o espírito de Pachelbel em Bach nesse dia. De qualquer modo, essa escala dá um toque único a tudo que ela toca (ou tudo que você toca com ela :D), não sei se posso chamar de o toque “celestial” do barroco, mas algo nesse sentido.

Abaixo, uma música conhecida de Bach, e também uma das que estou tentando aprender:


Mesclando Sons

22/04/2009

Isso é algo que eu pensava há algum tempo já: como misturar dois instrumentos em uma música? Tenho pra mim que é algo muito importante, já que muitas músicas muito bonitas têem mais de um instrumento, sem falar que deve ser incrível conseguir compor uma bela melodia onde todas as harmonias se encaixam perfeitamente.

Pachelbel Canon in D (a música do primeiro post); Alguns dos compassos dos violinos e os compassos do violocenlo.

Pachelbel Canon in D (a música do primeiro post); Alguns dos compassos dos violinos e os compassos do violocenlo.

Dai fico imaginando o que daria pra fazer com o que sei tocar, mas… droga, é nessas horas que eu devia saber tocar violino e violoncelo. Acho que vou ter que me virar com um violão e um piano, mas dia que eu fizer uma música boa com dois instrumentos eu coloco ela aqui.

Por enquanto, um vídeo de uma parte da famosa 9th Symphony, de Ludwig van Beethoven:

PS.: acho incrível como os violinos se misturam nas harmonias dessa música.


Canon in D Major for Three Violins and Basso Continuo

13/04/2009

Recentemente um amigo mandou um link para um vídeo no youtube, que mostrava um comediante dizendo o quanto odiava as linhas de violoncelo de uma música a que ele se referia como “Canon in D”. Bom, risadas do vídeo a parte, algum tempo depois resolvi procurar sobre a tal, e acabei encontrando a música cujo nome é o título desse post. A essa altura já ouvi ela trocentas vezes, e não enjoei ainda. Ouvi versões variadas, dentre elas uma interpretação para piano muito boa, pelo pianista americano Lee Galloway.

De qualquer modo, tenho para mim que essa música é uma das mais bonitas que já ouvi. Johann Pachelbel, o compositor, se excedeu nesse dia, conseguindo combinar o que há de melhor na música com um toque “celestial” que só o barroco tem.

Johann Pachelbel (Nuremberg, 1 de setembro de 1653 — Nuremberg, 9 de março de 1706)

Johann Pachelbel (Nuremberg, 1 de setembro de 1653 — Nuremberg, 9 de março de 1706)

Vídeo no youtube com uma interpretação do clássico: