A Liberdade de Expressão e o Brasil ou Guy Fawkes e V

07/12/2009

Para resumir o que vou falar aqui: “Remember remember, the 5th of november”

Minha vida anda do jeito que eu gosto: sem muito movimento, com bastante tempo para fazer o que eu quiser – que, na maior parte do tempo, é tocar piano e estudar música. Infelizmente eu também sou mais um dos muitos viciados em internet, o que me toma algum tempo diário. Fazer o que? A internet é o lugar onde eu posso conseguir informações, dar minhas opiniões e navegar por um sem fim de websites.

Foi surfando na web, de um site para o outro, que acabei chegando em um arquivo da Wikipédia sobre o famigerado website The Pirate Bay. Dali, dei mais alguns clique e voilà: fui parar em um artigo que falava sobre um partido suéco chamado Pirate Party – sim, Partido Pirata. A dita organização política é constituida em grande parte por jovens de 18-29 anos de idade, que pregam contra as leis suécas de copyright. O website deles foi uma leitura interessante, e acabei descobrindo que a idéia do partido se espalhou como fogo: hoje mais de 30 países possuem “filiais” do Pirate Party, incluindo o Brasil.

Eis então que fui visitar o website do Partido Pirata do Brasil; chegando lá, logo na abertura do site, me deparo com uma notícia preocupante: a justiça condenou alguém por algo dito na internet! Danos morais! Pois que resolvi ler os comentários das pessoas, e havia várias opiniões: desde a mais dura “eu abomino a justiça desse país” até as que defendiam a justiça brasileira, que sugeria que devemos entender que há direitos e deveres, e que um desses últimos é o de respeitar os outros. Respeito? No Brasil? Isso é um absurdo, respeito em um país como esse [/ironia]. De qualquer modo, o que me alarma realmente é a confusão que parece haver entre respeito e crítica – muitas vezes uma crítica implica em falar fatos pouco agradáveis, mas perante a lei alguns podem ser considerados como desrespeito. E agora? Onde foi parar a nossa liberdade de expressão? Não se pode mais dar sua opinião sobre algo ou alguém? Só podemos tecer elogios em relação aos outros? Eu não sei. Não pensei o suficiente sobre isso. Um dia vou fazer um texto melhor sobre isso tudo. Por enquanto eu me porto como o brasileiro comum: sem opinião formada, sem saber nem poder falar.

Para os interessados, trecho de um texto obra-prima:

Allow me first to apologize; I do, like many of you, appreciate the comforts of the everyday routine, the security of the familiar, the tranquility of repetition. I enjoy them as much as any bloke. But in the spirit of commemoration, and whereby, important events of the past – usually associated with someone’s death or the end of some awful, bloody struggle – are celebrated with a nice holiday; I thought we could mark this november the 5th (…) by taking some time out of our daily lives to sit down and have a little chat. There are, of course, those who do not want us to speak: I spect even now, orders are being shouted into telephones, and men with guns will soon be on their way. Why? Because while the truncheon may be used in lieu of conversation, words will always retain their power – words offer the means to meaning, and for those who will listen, the enunciation of truth. (…) Cruelty and injustice, intolerance and oppression. And where once you had the freedom to object, to think and speak as you saw fit, you now have censors and surveillance, coercing your comformity and solicitig your submission. How did this happen? Who is to blame? Certainly there are those who are more responsible than others. (…) But again, truth be told, if you’re looking for the guilty, you need only look into a mirror. I know why you did it, I know you were afraid; who wouldn’t be? (…) There were a myriad of problems which conspired to corrupt your reason, and rob you of your common sense. Fear got the best of you. (…) he promised you order, promised you peace, and all he demanded in return was your silent, obedient consent. (…) More than four hundred years ago, a great citizen wish to embed the 5th of novemeber forever in our memories. His hope was to remind the world that fairness, justice and freedom are more than words; they are perspectives. (…)
– V

O link para a notícia: http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1389642-6174,00-DONO+DE+BLOG+E+CONDENADO+A+PAGAR+R+MIL+POR+COMENTARIO+DE+INTERNAUTA.html

O que isso tem a ver com a música? Uma crítica: a indústria fonográfica é um retrocesso abissal para a ascensão dos verdadeiros talentos da música, bem como dos talentos não tão privilegiados. Há um modelo de comércio fonográfico que monopoliza a idéia de como deve ser “vendido” um músico, e esse modelo é uma vergonha. Curiosamente, esse país também é uma vergonha.

Terrinha cheia de gentinha.

Anúncios

Método

26/10/2009

Minha vida foi uma confusão esse ano. Comecei a tocar piano no ano passado, em Agosto, e logo no começo desse ano havia decidido que queria viver de música. Então eu pensei que o caminho para isso era a faculdade de música, um lugar para aprender música de verdade. Naquele momento eu não tinha noção real do, digamos, mundo em que eu estava entrando – tinha pouquíssima noção musical. Bom, os primeiros seis meses foram dedicados a teoria musical e a solfejos, embora eu reconheça agora que poderiam muito bem ter sido melhor empregados. Não que teoria musical e solfejos sejam ruins, mas que eu tenha preguiça de solfejar e de escrever sobre teoria, isso eu tenho. De qualquer modo, em Julho entrei para o curso de extensão da UFMG, e agora tenho aulas de piano com o professor Maurício Veloso, que já me ensinou muito, embora meu progresso tenha sido pequeno (por culpa muito provavelmente minha). Então, desde Agosto venho tentando melhorar no piano, e foi só nesse mês que surgiu algum fruto. Até duas semanas atrás minha prática era fraca e, de certo modo, quase sem método. Sábado que vem é o vestibular. PRECISO acabar amanhã a Marcha Turca, 100%, e ainda ler até o fim as outras duas partituras! E é o que vou fazer, nem que tenha que ficar no piano a manhã seguinte!

De qualquer modo, algumas das coisas que aprendi com o Maurício (algumas das quais também ditas pelo Luis*):

– Quando for estudar, toque devagar até alcançar a perfeição. A partir dai aumente gradualmente a velocidade da execução.

– Toque relaxado. Quando as mãos estão tensas, o movimento fica difícil, é fica fácil perder notas e ritmo.

– Tenha foco, estude o necessário, e procure sanar os problemas conscientemente. Como um amigo disse, não adianta tocar 1000 vezes e achar que na milésima primeira vai sair direito.

E, portanto, tenho um plano para a prática da semana: começar com uma hora de aquecimento, com alongamentos e exercícios de dedilhado de Cortot e Bélla Bartok. Feito isso, praticar a peça A Little Song (Dimitri Kabalevski) por uma hora. Após isso, praticar um misto de dedilhados e exercícios de ritmo por outra hora. Finalmente, uma hora dedicada a sanar os problemas da Marcha Turca, seguida por outra hora para a Invenção a Duas Vozes de J. S. Bach. A partir dai, alternar entre descanso e as peças.

Espero realmente que isso funcione. Não sei se devo passar no vestibular agora, mas gostaria de conseguir tocar uma peça boa lá. Uma vez pelo menos, sabe…

E agora, a música que eu estava ouvindo no momento (e que por sinal vi num concerto outro dia):

*Luis é meu professor de violão/guitarra, teoria musical, solfejo e ditado melódico. Faço aula com ele há quase três anos. Grande pessoa, incrível musicalmente.


As Boas Crenças

23/09/2009

Eis então que perdi um amigo. Perdi um amigo porque cada um de nós escolhe acreditar em alguma coisa – e eu, escolhi crer em algo diferente do que o dito cujo mostrar pensar. Uma pena. Mas foi a partir dai, e de uma conversa com um outro amigo – diga-se de passagem, esse tem boas afinidades comigo – que resolvi escrever sobre as boas crenças. Não digo As Boas e Más Crenças porque não quero uma idéia negativa no título de um texto que pretende ser bom.

Vivendo e aprendendo, a gente descobre que algumas pessoas tendem ao negativismo. Se acham incapazes, seja academicamente, socialmente, intelectualmente ou fisicamente. Ou “qualquer-coisa-ente”. Outras pessoas, felizmente essas são mais raras, vão a extremos maiores ainda: passam a crer num mundo decadente! Isso é muito ruim. Se tem algo de que os seres humanos precisam é de boas crenças. As pessoas precisam de esperança, capacidade de acreditar em coisas boas, de se sentir bem individualmente e em grupo. Do contrário, a vida fica ruim, os dias são cinzas e as pessoas ao seu redor se perdem no seu redemoinho de tristeza e angústia generalizada. É por isso que, apesar de não acreditar em algumas partes da bíblia, penso que ela, como outros livros de outras religiões, são bons livros. Isso porque tendem a pregar idéias boas de bons princípios morais para as pessoas.

Tem quem diga que dar conselho não é bom, mas acredito que o bom conselho é aquele que é dado sem saber a quem se dá. Então ai vão alguns:

– Acredite nas suas capacidades. Tenha ciência delas e as exercite sem negativismo. Os produtos delas podem melhorar consideravelmente.

– Não se deixe cair em decadência. Se esforce para manter o equilíbrio entre o orgulho interior e o respeito para com o mundo exterior.

– Tenha sensibilidade, não se afogue em ceticismo. Por mais que o mundo seja cheio de coisas ruins, acreditar nas boas torna tudo melhor.

Não posso reiterar o suficiente a importância desse último conselho. Ele é a chave para uma vida humana e saudável. Eu costumava ser alguém com dias bons e ruins; um dia estava de ótimo humor e quase nada me abalava. No outro tudo parecia sem graça e sem futuro, nada nem ninguém me alcançava. O que vou tentar fazer de agora em diante é manter um sorriso na alma, e levar a vida normal, sem tentar impressionar ninguém, nem a mim mesmo.

PS.: o que isso tem a ver com música? Bom, um dia eu achava que tava no caminho certo da composição. Em outro achava que estava tudo errado e sem brilho. Mas acho que o brilho está nos olhos de quem vê mesmo.

PS 2.: aqui vai um link pro blog do amigo que inspirou esse texto. Não, não é o que perdi, mas sim o continua por ai, com um sorriso na alma: http://marcolinoo.blogspot.com/2009/09/exercicio.html

UPDATE: oh, conversei com meu amigo. Think it’s all set.


Amadeus

03/08/2009

Ontem o dia começou tarde – acordei as 15:00 haha. Mas dai tomou um rumo inesperado e acabei vendo um filme muito bom. Um menina legal que eu conheço alugou Amadeus, pra todo mundo assistir, um filme sobre Wolfgang Amadeus Mozart. Isso me lembrou da peça que estou ensaiando pro dia 06 – e que com sorte vou terminar a tempo – o Rondo Alla Turca, uma passagem conhecida como a Marcha Turca.

Mas, primeiramente, vamos falar sobre o compositor: Wolfgang Amadeus Mozart (27 January 1756 – 5 December 1791), foi um compositor do período clássico da música erudita. Foi um dos mais prolíficos em sua área, com mais de 600 obras, das quais muitas são consideradas obras-primas. Desde criança, Mozart se mostrava um prodígio, sendo habilidoso nos teclados (cravo e piano) e no violino (habilidades essas que o permitiram compor desde cedo, com 5 anos de idade). Viveu por algum tempo em Salzburg, onde foi Músico da Corte, mas acabou indo para Viena, onde viria a compor e executar muitas de suas melhores peças, dentre elas a Flauta Mágica e seu Requiem, não terminado.

Além de sua música, Mozart era conhecido por incríveis capacidades músicas, como o domínio perfeito do improvisação nos teclados, improvisações estas em que ele conseguia precisão e ritmos perfeitos. Sua memória também lhe permitia tocar algumas peças sem partitura.

Sobre a música: o Rondo Alla Turca é o último movimento da Piano Sonata No. 11 in A Major K331, sendo uma das obras mais conhecidas de Mozart. Este Allegreto tenta imitar o som das marchas militares otomanas. Interessantemente, é uma música que muitas pessoas alteraram a velocidade, desde aquela por Gleen Gould (devagar) a outra por Romuald Greiss (extremamente rápido).

Pessoalmente eu gosto muito da versão abaixo:

Em breve, vou postar uma peça para violão e possivelmente uma sonata para piano.


Dvořák e o Romantismo Musical

02/06/2009

Outro dia eu estava no msn, quando o De Paula ( http://cabriolastristes.wordpress.com/ ) me mandou uma música: era Piano Concert in Gm – Allegro Agitato, de Dvořák, um compositor que eu nunca tinha ouvido (dentre os tantos que ainda não ouvi hehe). A música me pegou de primeira; logo nos primeiros 10 segundos já fiquei cativado e convencido a escutar mais da música (que por sinal cerca de 19:30 minutos).

Antonín Leopold Dvořák (September 8, 1841 – May 1, 1904)

Antonín Leopold Dvořák (September 8, 1841 – May 1, 1904)

Dvořák, nascido em Nelahozeves, na atual República Checa, foi um compositor de um período das artes conhecido como romantismo – na música, caracterizado pela expansão as estruturas formais de uma composição, permitindo que essas se tornasse mais expressivas e (segundo a wikipédia) “apaixonantes”. Claramente, o amor em si não é o foco do romantismo, embora esse tema tenha sido muito usado nas composições da época (e se você observar, ainda é usado até hoje).

Embora Dvořák não tenha sido um inovador, em termos técnicos, foi um dos que mais bem utilizou as ferramentas a sua disposição em sua época, o que lhe rendeu sucesso ainda em vida. Fez performances na Inglaterra e, em 1891, foi convidado a lecionar música no Conservatório Nacional de Música de Nova York.

Antonín Leopold Dvořák faleceu de falência cardíaca, em Praga. Na época ocupava o cargo de diretor do Conservatório de Praga.

Curiosidade: até onde li, pode-se deduzir a possibilidade de que Dvořák fosse um sujeito mente aberta: certa vez pediu que Harry Burleigh, um pupilo seu, lhe mostrasse o que era conhecido como Traditional American Spirituals.

Abaixo, Piano Concert in Gm, dividido em duas partes por restrições do YouTube.

Obra recomendada: todo o bloco de Slavonic Dances, obviamente, por Dvořák.


A Escala Bachiana

14/05/2009

Nas minhas aulas de música mais recentes, em vista de eu querer passar no vestibular de música, meu professor me passou muita coisa sobre música erudita: músicas, escalas, solfejos e outras coisas mais. Mas o melhor foi quando ele falou de Bach – Johann Sebastian Bach.

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 — Leipzig, 28 de julho de 1750)

Johann Sebastian Bach (Eisenach, 21 de março de 1685 — Leipzig, 28 de julho de 1750)

Bach foi um compositor do barroco – um período da história com um estilo único – tido por muitos como o maior deles. Fez inúmeras contribuições para a música, e até hoje é tido por muitos como um dos mais importantes músicos da história, tanto que dizem que o barroco acabou quando Bach morreu. Pois bem, quem quiser saber mais sobre Bach, só pesquisar no Google.

Agora vou falar do que, para mim, até o momento, foi a tacada de mestre dele: a escala bachiana. A escala bachiana é uma mistura de outras escalas, sendo essas a menor melódica e a menor natural. O que são essas outras escalas que você falou? A menor melódica surgiu (até onde a memória me permite lembrar) a partir da menor harmônica, e essa por sua vez surgiu da seguinte situação: era muito difícil para as coristas alcançarem certas notas da escala natural. Então criaram essas outras escalas. Quem criou? Não sei. Que coisa mal explicada!

Mas voltando para a nossa escala-tema, aconteceu o seguinte: o criativo Bach decidiu usar uma progressão que conforme progrediam as notas (para os leigos: ficava mais agudo) utilizava-se a escala menor melódica, e conforme regrediam (ficava mais grave) utilizava-se a escala menor natural. Brilhante! Temos então uma das escalas mais brilhantes, que permite músicas lindas.

A teoria musical diz que a escala maior é composta pelos seguintes intervalos: tom tom semi-tom tom tom tom (e semi-tom). Veja:

As 12 notas musicais: Dó   Dó#   Ré   Ré#   Mi   Fá   Fá#   Sol   Sol#   Lá   Lá#   Si   (Dó). Então a escala maior em Dó seria: Dó   Ré   Mi    Fá   Sol   Lá   Si   (Dó). Acontece que a teoria nos diz que na escala menor harmônica a terceira nota é bemol, e na escala menor melódica a terceira e a sexta nota são bemol. Logo teremos:

>Menor Harmônica: Dó   Ré   Mi b (ou Ré#)    Fá   Sol   Lá b (ou Sol#)   Si   (Dó)

>Menor Melódica: Dó   Ré   Mi b (ou Ré#)    Fá   Sol   Lá  Si   (Dó)

Então caimos na escala menor natural, que tem a terceira, a sexta e a sétima bemol.

>Menor Natural: Dó   Ré   Mi b (ou Ré#)    Fá   Sol   Lá b (ou Sol#)  Si b (ou Lá#)   (Dó)

E finalmente a escala bachiana, que progride em menor melódica e regrede em menor natural.

>Escala Bachiana: Dó   Ré   Mi b   Fá   Sol   Lá   Si   Lá#   Sol#   Sol   Fá   Mi b   Ré   Dó

Só pode ter baixado o espírito de Pachelbel em Bach nesse dia. De qualquer modo, essa escala dá um toque único a tudo que ela toca (ou tudo que você toca com ela :D), não sei se posso chamar de o toque “celestial” do barroco, mas algo nesse sentido.

Abaixo, uma música conhecida de Bach, e também uma das que estou tentando aprender:


Sibelius 5 e o meu Allegro

05/05/2009

Hoje eu acordei as 06:41, com a cabeça doendo só de ficar encostada no travesseiro. Não, eu não fiquei tempo demais na cama. Foi a gripe mesmo. Tentei dormir, e quando acordei de novo era quase meio-dia. Como eu não ia mais na aula, resolvi dar uma olhada num programa que eu tinha instalado no computador esses dias: Sibelius 5.

O Sibelius é um programa dedicado a criação e edição de partituras, tudo muito profissional e bem feito. Além disso ele inclue uma ferramenta que achei incrível: ele toca as partituras que você faz. Muito bom. Aé, e também tem vários instrumentos, algo tipo 400 diferentes.

Sibelius 5

Então aproveitei e passei a tarde fazendo a partitura de uma música que eu tinha feito no violão no mês passado. Passei a música pro piano e vi que ela ficou muito mais difícil do que o esperado. Mas fazer o quê? Praticar pra um dia poder tocar minhas próprias composições haha.

A partitura:

Allegreto - não, não é um título. Allegreto é uma palavra para designar o andamento da música.

E para, não perder a “tradição” de ter sempre um vídeo, o que eu estava ouvindo agora: